Nasceu no Rio Grande do Sul, nos Aparados da Serra, no Morro Grande, em área rural, e aos seis anos de idade foi viver em Caxias do Sul. Mudou-se para Porto Alegre aos 16 anos de idade e formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde também cursou Música. Começou a escrever aos 14 anos e em seguida a compor, principalmente através da voz, sem uso de instrumentos. Nesta época começou a tocar violão intuitivamente. Participou de inúmeros festivais de música no Rio Grande do Sul tendo classificado Cântico Brasileiro No 3, mais conhecida como Kamaiurá na 3ª edição do Musicanto, um dos mais importantes festivais de música nativa no sul do pai, entre outras várias participações e classificações.


Montou shows como Rictus (1980), Anjo Negro (1983) e Brasileira (1984) todos circulando em Porto Alegre e cidades do interior do Rio Grande do Sul. Transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1985, para estudar com o maestro Luiz Eça, apresentar-se com João de Aquino na Sala Sidney Miller e trabalhar na área de produção cultural. Em seguida criou um escritório de assessoria de imprensa especializado nessa área e fundou a Antares Promoções que veio a destacar-se no mercado cultural sul americano e segue em atividade até hoje.


Em 1987 gravou o LP Brasileira com Ricardo Bordini, Luiz Eça e o grupo Uaktí. Realizou em 1988 diversos shows de lançamento no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Salvador e Porto Alegre. Foi indicada como revelação no Prêmio Sharp de 1989.


Em 1993 lançou o CD Mapa das Nuvens atuando com músicos como Marcos Suzano, Danilo Caymmi, Farley Derze, Lui Coimbra, André Santos, Eduardo Neves. Compôs música para oito poemas de Mário Quintana e gravou dois, Canção da Garoa e Canção de Barco e de Olvido. Apresentou-se em diversos teatros no Rio de Janeiro, destacando-se o Jazzmania. Apresentou-se com Luiz Eça, Jards Macalé, Nelson Angelo, Laudir de Oliveira, Totonho Villeroy, entre outros destacados músicos da cena brasileira.


A partir de 1993 dedicou-se integralmente à atividade de produção frente à Antares, trazendo ao Brasil e países da América do Sul os mais importantes nomes da cena cultural mundial.




30 anos depois ...


“Comecei a compor quase sem perceber, aos 14 anos de idade. Escrevia e sentia que o som rondava meus poemas. Ouvia música inspirada por meus pais desde pequena, de todo tipo, de rancheira a Beethoven. Na terra onde nasci, infelizmente, o ambiente era hostil à criação feminina, mas eu não prestava muita atenção a estas coisas. O ambiente sonoro das pessoas, dos lugares, o sofrimento de brancos, índios e negros, e também seu deleite era o que me atraía. Era meio bicho raro, assim diziam... Sempre que tentei estudar teoria musical não entendi nada e nunca conectei  teoria com processo criativo. Para mim, tudo começava na voz e se ia construindo na memória,  repetindo para guardar o já criado e pouco a pouco ouvindo a letra, as palavras cantadas, os instrumentos, ventos, sopros, outras vozes, atmosferas e tecidos sonoros.


A gravação de Brasileira, em 1987, foi um esforço hercúleo, que somente aconteceu por conta da generosidade de Luizinho Eça, amigo do coração e grande mestre, e de Marco Antonio Guimarães, junto com Paulinho Santos, Décio e Artur do Uaktí. E mais, Ricardo Bordini, que vinha comigo desde muito tempo, adivinhando e decodificando meus sons vocais, os quais ele traduzia para todo tipo de instrumento. A presença de Ricardo na minha música é como uma pele de gêmeos siameses, eu e ele. Julio Saraiva que atuava em várias áreas, de arquitetura a teatro de bonecos, tocou acordeon, cantou e, generosamente, criou e executou o trabalho gráfico original do LP Brasileira.


Muitos anos se passaram até receber um telefonema de um grande amigo, Beto Kaiser, que trabalhou quase vinte anos como diretor técnico da Antares em suas inúmeras turnês de dança, dizendo que seu filho Millos, que eu conhecia desde pequeno, era meu fã. Achei engraçado...  Eu estava lentamente voltando à música depois de anos de dirigir a Antares, empresa que criei em 1987 e que trouxe milhares de artistas do mundo todo ao Brasil. Millos se tornara DJ e  tocava músicas minhas nas festas da Selvagem e, como disse ele, não sabia que eu era eu: a mesma Maria Rita com quem seu pai trabalhava... Esta sim era uma volta de muitas oitavas, coisa de filme.


Antes disso surgiu John Gomez, também DJ e integrante do selo Music From Memory que encontrou o LP Brasileira no Japão e a partir dele se inspirou para criar a coletânea Outro Tempo, lançada em fevereiro de 2017 na Europa. Esgotaram-se todos os LPs fabricados em menos de três semanas. Nova edição saindo, e também versão em CD


Enquanto isso Millos Kaiser e Augusto Olivani propuseram lançar um single dedicado ao mundo dos DJS com um remix de Cântico Brasileiro No 3 feito por eles, da Selvagem, e outro de Lamento Africano/ Rictus com o francês Joakim. Depois de vários encontros em São Paulo, decidiram relançar o Brasileira exatamente como foi criado, mesmo encarte, em vinil, lançando no mercado o selo Selva Discos. A esta altura decidimos fazer uma nova gravação de Cântico Brasileiro No 3 com Paulinho Santos, irmão de mil sons, que esteve com o Uaktí desde o começo, gravou comigo em 1987, tocou em diversos shows ao vivo e veio de Belo Horizonte para criarmos um novo "Kamaiurá".


Red Bull Music Academy Festival São Paulo 2017

artista

MARIA RITA STUMPF ©  2017  /  All Rights Reserved  /  Publicidad Ábaco

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