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minha história_

Gaúcha, dos Aparados da Serra, nasceu em área rural, e aos seis anos de idade mudou-se com a família para Caxias do Sul, onde começou a escrever e compor por volta dos 14 anos de idade. Mudou-se para Porto Alegre dois anos mais tarde, para seguir os estudos, e formou-se em Jornalismo pela UFRGS, onde também ingressou no curso de Música. Participou de inúmeros festivais de música no Rio Grande do Sul, classificando Cântico Brasileiro Nº 3, mais conhecida como Kamaiurá na 2ª edição do Musicanto, em 1984, desafiando a recorrente temática gauchesca dos festivais da época, para falar dos povos indígenas.

Antes de mudar-se para o Rio de Janeiro em 1985 apresentou shows como Rictus (1980), Anjo Negro (1983) e Brasileira (1984), circulando em Porto Alegre e cidades do interior do Rio Grande do Sul. A mudança para o Rio de Janeiro foi idéia do pianista e maestro Luiz Eça, com quem atuou até seu falecimento em 1992. Ao chegar apresentou-se em temporada com João de Aquino na série da Sala Sidney Miller, da Funarte, enquanto trabalhava na área de produção cultural. Em seguida criou um escritório de assessoria de imprensa especializado em cultura e artes e fundou a Antares Promoções que veio a destacar-se no mercado cultural mundial e segue em atividade.

Em 1987 gravou o LP Brasileira com Ricardo Bordini, Luiz Eça e o Grupo Uaktí. Realizou em 1988 diversos shows de lançamento em capitais brasileiras. Foi indicada como revelação feminina no Prêmio Sharp de 1989.

Em 1993 lançou o CD Mapa das Nuvens, com músicos como Marcos Suzano, Danilo Caymmi, Farlley Derze, Lui Coimbra, André Santos e Eduardo Neves, preservando as gravações com Eça e Grupo Uaktí pois o vinil desaparecia, substituído pelo Compact Disc. Compôs música para oito poemas de Mário Quintana e gravou dois, Canção da Garoa e Canção de Barco e de Olvido. Apresentou-se em diversos teatros no Rio de Janeiro, destacando-se o emblemático Jazzmania. E ainda com Jards Macalé, Nelson Angelo, Laudir de Oliveira, Totonho Villeroy, entre outros destacados músicos da cena brasileira.

A partir de 1993 dedicou-se integralmente à atividade de produção frente à Antares, trazendo ao Brasil e países da América do Sul os mais importantes nomes da cena artística mundial.


30 anos depois ...

“Comecei a compor quase sem perceber, aos 14 anos de idade. Escrevia e sentia que o som rondava meus poemas. Ouvia música inspirada por meus pais desde pequena, de todo tipo, de rancheira a Beethoven. Na terra onde nasci, infelizmente, o ambiente era hostil à criação feminina, mas eu não prestava muita atenção a estas coisas. O ambiente sonoro das pessoas, dos lugares, o sofrimento de índios, negros e brancos, e também seu deleite era o que me atraía. Era meio bicho raro, assim diziam...

Sempre que tentei estudar teoria musical não entendi a lógica em relação aos sons que me habitavam, e nunca conectei teoria com processo criativo. Para mim, tudo começava na voz, ouvindo a letra, as palavras cantadas, os instrumentos, ventos, sopros, outras vozes, atmosferas e tecidos sonoros.

A gravação de Brasileira, em 1987, foi um esforço hercúleo, que somente aconteceu por conta da generosidade de Luizinho Eça, amigo do coração e grande mestre, e de Marco Antonio Guimarães, junto com Paulinho Santos, Décio e Artur, do Uaktí. E mais, Ricardo Bordini, que vinha comigo desde muito tempo, adivinhando e decodificando meus sons vocais, os quais ele traduzia para todo tipo de instrumento. Julio Saraiva, ator e designer, que atuava em várias áreas, de arquitetura a teatro de bonecos, tocou acordeon, cantou e, generosamente, criou e executou o trabalho gráfico original do LP Brasileira. Falecido em 2019, participa do novo album Inkiri Om, com uma pintura dos anos 80 sobre uma foto minha.

Muitos anos se passaram até receber um telefonema de um grande amigo, Beto Kaiser, que trabalhou quase vinte anos como diretor técnico da Antares em suas inúmeras turnês de dança, dizendo que seu filho Millos - que eu conhecia desde pequeno - era meu fã. Achei engraçado...  Millos se tornara DJ e tocava músicas minhas em suas festas e, como disse ele, não sabia que eu era eu: a mesma Maria Rita com quem seu pai trabalhava... Esta sim era uma volta de muitas oitavas, coisa de filme”.




John Gomez , DJ e colaborador do selo holandês Music From Memory, encontrou o LP Brasileira no Japão em 2015. A partir dele se inspirou para criar a coletânea Outro Tempo, lançada internacionalmente em fevereiro de 2017, incluindo Cântico Brasileiro Nº 3, Lamento Africano e Rictus. Esgotaram-se todos os LPs fabricados em menos de três semanas e novas edições seguem.

Ao mesmo tempo, Millos Kaiser e Augusto Olivani, DJs da Festa Selvagem, propuseram lançar um single dedicado ao mundo dos DJs com um remix de Cântico Brasileiro Nº 3 (Kamaiurá), criado por eles, da Selvagem, e por Carrot Green, assim como um remix de Lamento Africano/ Rictus com o DJ francês Joakim. Depois de vários encontros em São Paulo, decidiram relançar o LP Brasileira exatamente como foi criado, mesmo encarte, em vinil, em julho de 2017, criando para isso o selo Selva Discos. Decidiram então fazer uma nova gravação de Cântico Brasileiro Nº3 com Maria Rita e Paulo Santos, fundador do Grupo Uaktí, que recém acabava. A gravação aconteceu no estudio Trama, em São Paulo . Assim nasceu o EP Remixes - Maria Ria Stumpf que foi lançado em outubro de 2017 e distribuído mundialmente atravás da alemã Kompakt, que tambem distribuiu Brasileira.

Shows no Cine Teatro Brasil em BH, na Casa de Francisca em SP e no encerramento da 4a edição do Kino Beat Festival em Porto Alegre marcaram a volta ao palco, ao lado de Paulo Santos e Ricardo Bordini, com quem atuou desde os anos 80, além de Andre Santos (baixo) e Danilo Andrade, pianista de grande talento que conheceu no Red Bull Music Academy Festival, no lançamanto da coletânea Outro Tempo, em junho de 2017 no mitológico Teatro Oficina, em São Paulo. Ali tambem conheceu Kassin Kamal que dirigiu o show, com quem mantém uma forte ligação de amizade e colaboração artística.

Participou da edição paulista do festival Dekmantel, da Holanda, em março de 2018, incorporando à banda o percussionista Jovi Joviniano com quem havia tocado desde 1993, e o baixista Diogo Strausz. Participou do programa de estréia da Rádio Virusss em SP, onde conheceu Matheus Câmara, aka Entropia Entalpia, com quem colabora regularmente em diferentes projetos, incluindo seu novo disco.

No final de 2018 começou a concretizar Inkiri Om, gerado ao longo de todo este hiato, gravando no recém inaugurado Estúdio Aprazível, de Philippe Ingrand (Doudou), em Santa Teresa, bairro carioca de artistas, entre fevereiro e setembro de 2019. Inkiri Om contou com grandes nomes da música brasileira de várias gerações como Ricardo Bordini, Kassin Kamal, Lui Coimbra, Marcos Suzano, Jovi Joviniano, Paulo Santos Uaktí, Danilo Andrade e Matheus Câmara (Entropia Entalpia). Foi lançado digitalmente em Maio de 2020, em todas as plataformas e recebeu grande atenção da imprensa brasileira.





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